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Documentário analisa se é justo ou não matar cerca de 100 milhões
de animais todos os anos para estudos e propõe alternativas
POR CRISTIANE
SENNA
A utilização de animais na ciência é muito antiga, data de quando
o homem queria entender a mecânica do corpo humano. Graças aos
avanços tecnológicos e científicos, essa prática ficou
ultrapassada, mas ainda é tida como padrão por instituições de
ensino. Médicos, biólogos e demais profissionais da saúde devem,
para a sua formação, passar pela vivissecção, ato de dissecar
animais vivos. A partir do século 19, essa técnica foi
intensificada e virou uma indústria.
Animais saudáveis criados em biotérios, lugares reservados nas
instituições para criação de cobaias, ou mesmo pegos pelo Controle
de Zoonozes de suas cidades, são submetidos - vivos - a técnicas
de sutura, injeção de substâncias, queimaduras, indução de fome e
estresse para que seus organismos sejam estudados.
Pensando no respeito e na compaixão para com esses animais, o
Instituto Nina
Rosa trabalhou durante um ano para produzir o documentário
Não
Matarás - Os Homens e os Animais nos Bastidores da Ciência.
Nele, médicos, veterinários, biólogos, filósofos e especialistas
no assunto debatem sobre o não uso de animais para fins educativos
e científicos. "Queremos informar e sensibilizar a sociedade para
as crueldades embutidas na maioria dos bens de consumo e oferecer
liberdade de escolha para consumidores que não querem patrocinar
empresas que utilizam tais métodos", afirma a ativista e
presidente do instituto, Nina Rosa Jacob.
Por serem dóceis, cães da raça beagles são os mais utilizados em
testes e pesquisas
No Ensino
O documentário narra as experiências às quais os animais são
submetidos durante o processo de aprendizagem do aluno. Um claro
exemplo do abuso praticado no curso de veterinária é a injeção de
estricnina em ratos. Há séculos sabe-se que essa substância é um
poderoso veneno, mas a experiência é repetida para que todos os
alunos, a partir do segundo ano, vejam o efeito: convulsão e
morte. Segundo ativistas, aulas como essas são consideradas
rituais.
Thales Tréz, biólogo e professor da Universidade Federal de
Alfenas, é representante da
Interniche Brasil, organização que se ocupa da implementação
de recursos substitutivos no cenário educativo, para formação de
profissionais da saúde e biológicas. Tréz afirma que na educação
existem vários recursos capazes de ilustrar os processos
realizados em aulas práticas com animais. Tais processos podem ser
classificados em vídeos, modelos e manequins, simulação em
computador, utilização ética de cadáveres e tecidos animais,
clínica médica com pacientes animais e voluntários,
auto-experimentação do estudante, práticas laboratoriais in vitro
e estudos de campo. Cada uma dessas categorias possui diversas
aplicações e vantagens e, quando combinadas, oferecem mais
abrangência e clareza do que o uso tradicional de animais, o qual
por vez não dá certo e ocupa muito tempo da aula prática.
"Os alunos podem e devem exigir que os estabelecimentos de
ensino tenham disponíveis métodos alternativos necessários para
seu aprendizado"
Nina Rosa Jacob,
presidente do Instituto Nina Rosa |