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Cresce tensão entre ativistas e caçadores de focas no Canadá

 

Agência EFE

26/03


Caçadores de focas canadenses e organizações protetoras dos animais se envolveram em um perigoso jogo nas gélidas águas do Golfo de São Lourenço, com barcos pesqueiros investindo contra lanchas e estas perseguindo os caçadores.

Trata-se da última batalha de um confronto que se repete a cada ano desde que, no final dos anos 60, grupos ecologistas e de proteção animal começaram a protestar contra o ritual anual de caça a milhares de focas no Canadá.

Hoje, a embarcação "Kakawi" se lançou contra a lancha da Sociedade Protetora de Animais dos Estados Unidos (HSUS, na sigla em inglês), na qual estava um enviado especial da EFE.

O piloto da lancha da HSUS começou a retroceder, mas a embarcação ficou presa em um pequeno canal; o "Kakawi" aproveitou e atirou-se contra a lancha Zodiac.

Só a perícia do piloto da HSUS - um veterano do Greenpeace que esperou até o último momento para movimentar sua embarcação e evitar que o pesqueiro corrigisse seu rumo - evitou danos maiores.

Ainda assim, o "Kakawi" alcançou a parte traseira da lancha, danificando seu motor e perfurando uma das câmaras pneumáticas.

Não se trata de uma brincadeira: uma pessoa não pode sobreviver mais que poucos minutos em águas com temperaturas próximas a zero grau.

O "Kakawi" acabou seguindo seu rumo, não sem que antes seus ocupantes lançassem vários impropérios contra os ativistas. Já o grupo da HSUS voltou a sua embarcação principal para avaliar os danos à lancha.

A HSUS não demorou muito a colocar a Zodiac de novo na água e prosseguir, junto com outra lancha do grupo, na observação das ações dos caçadores. Pouco depois, outro pesqueiro voltou a tentar atacar as lanchas, desta vez com menos êxito que na primeira ocasião.

Rebecca Aldworth, diretora da campanha contra a caça de focas da HSUS, disse à EFE que sua organização vai denunciar o incidente ao dono do "Kakawi", mas, dada sua experiência, não acredita que o Ministério de Pesca do Canadá tome qualquer atitude.

"É típico das autoridades canadenses. Não estão aí não para garantir que se cumpram as regras, mas sim para proteger os pescadores", disse Aldworth.

A ativista da HSUS se referia ao fato de que, após a investida do "Kakawi", inspetores do Ministério terem interceptado os barcos da organização de proteção animal para verificar se "todos têm as permissões de observação" que são obrigatórias.

Os nervos estão à flor da pele. Os pescadores dedicados à caça se sentem vítimas de uma campanha internacional para desacreditá-los e eliminar receitas adicionais que sempre são bem-vindas.

As autoridades canadenses não ajudam muito a resolver a situação com declarações como as do atual ministro de Pesca, Loyola Hearn, que recentemente qualificou a HSUS e o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW) como organizações da chamada "indústria do protesto", e que só fazem campanhas para arrecadar dinheiro na Europa e nos Estados Unidos.

As duas organizações, entre outras, consideram que a caça é "cruel e desumana" e desnecessária para os pescadores de um país como o Canadá, que se encontra entre os mais ricos do mundo.

As imagens obtidas pela HSUS e o IFAW de pescadores espancando as cabeças das focas, muitas delas com poucas semanas de vida, percorrem todo o mundo e geram protestos generalizados, o que causa grande dor de cabeça para o Governo canadense.

Ativistas como Aldworth acreditam que as imagens ajudarão a acabar com a caça comercial de focas no Canadá, enquanto os pescadores esperam que elas deixem de circular para poderem seguir com seu rito anual.

http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/mundo/2318501-2319000/2318995/2318995_1.xml
 

 
 

 


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