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27/02/2006
Uma mulher que cuidava de 50 gatos vadios em Pequim viu morrer 38
dos seus amigos após ter-lhes servido comida daquela marca. Outros
cinco estão muito doentes. “Têm úlceras na boca e parecem
completamente desamparados”, contou Yu Zhi ao jornal ‘China Daily’.
Um responsável do Ministério da Agricultura chinês reconheceu que
não há regulamentação relativa aos ingredientes usados na comida
dos animais domésticos.
Um relatório oficial, divulgado a semana passada, revela que
concentrações muito elevadas de metais pesados foram encontradas
em 41 por cento do marisco de Jiangsu, uma das áreas de maior
produção de peixe da China.
http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=193054&idselect=91&idCanal
=91&p=94
Adolescentes
retiram ‘sujeira’ da internet
JULIANA BRITO
Eles passam mais de 13 horas por dia em frente ao computador,
dedicados, exclusivamente, a vasculhar sites na internet, em busca
de conteúdo proibido. Fugindo à regra, os adolescentes membros dos
grupos Un_Root e GoT2Think têm outras preocupações. Querem retirar
da rede mundial de computadores, páginas criminosas, que fazem
apologia ao racismo, pedofilia, homofobia e maus-tratos a animais.
O resultado disso são mais de 16 mil sites proibidos destruídos em
dois anos.
Apesar de não gostarem da denominação “hackers”, os membros dos
grupos sabem muito sobre os segredos da informática. Utilizando um
teclado de computador como “arma”, o estudante “Lucas”, ou Shaman
286, 17 anos, de João Pessoa, emprega todo o conhecimento
adquirido - nas quatro horas de estudo diário na área de
programação e sistemas de informática - para destruir páginas na
internet (sites) de conteúdo ilegal.
Fundador do GoT2Think e membro do Un_Root, ele conta que, o
objetivo é “fazer o bem sem olhar a quem”. Como uma “fera”, Shaman
286 – juntamente com cerca de seis amigos dos dois grupos –
praticamente dedica a vida a esse “trabalho” diferente. “Nós
retiramos o conteúdo das páginas (fotos, mensagens), deixamos uma
mensagem nossa no lugar e saímos”, revelou Lucas. Os encontros do
grupo ocorrem em uma rede secreta, na internet, criada pelos
adolescentes, com entrada restrita aos componentes.
A invasão dos sites é feita aos poucos, após análise detalhada
sobre a forma mais adequada para o ataque. Além de passar horas
navegando na web em busca dos que propagam mensagens e imagens de
conteúdo proibido, os membros dos grupos recebem denúncias através
de canais de bate-papo, colegas e outros internautas interessados
em ajudar no combate aos criminosos virtuais. “Invadir um sistema
é a coisa mais fácil do mundo”, comenta Shaman 286.
Trabalho é realizado sem conhecimento da família
A incrível habilidade para lidar com computadores surgiu cedo na
vida de Lucas. Aos nove anos, herdou do pai um velho computador
(processador 286). “Comecei a mexer no MS-DOS (sistema de
operacional em modo texto), tentando aprender alguns comandos. Com
12 anos, ganhei um computador ‘de verdade’ para fazer trabalhos da
escola. Minha mãe colocou senhas de acesso a algumas coisas e eu
consegui retirar”, revela.
Apesar de ser exclusivamente voltado para o bem, o trabalho
realizado por Shaman 286 e seus amigos é feito às escondidas, sem
o conhecimento da família. “Tenho medo dos meus pais acharem que
faço algo errado”, afirma o rapaz, citando os recentes escândalos
divulgados na mídia nacional, envolvendo adolescentes acusados de
envolvimento com uma rede de criminosos que desviava dinheiro de
contas bancárias via internet. “Sou contra qualquer coisa que
esteja desmerecendo algum ser vivo”, completa Shaman 286.
Ele rejeita a denominação “hacker” e não disfarça o orgulho que
sente por utilizar o incrível conhecimento que tem para proteger
pessoas indefesas e “assustar” malfeitores, destacando que,
“praticamente não dorme”, para dar conta do “trabalho” que
escolheu fazer. “Não me considero um hacker. Sou apenas um cara
que estuda e faz o que gosta, com a intenção de fazer algum bem”,
diz Lucas, que sonha em seguir carreira na área de informática.
“Uma vez descobri um site racista, com as proteções mais modernas
contra invasão. Sabia que era impossível conseguir entrar naquele
sistema, mas não desisti”, revelou. Após vários dias pensando em
uma forma de invadir a página, Shaman 286 acordou, de madrugada,
com a idéia na cabeça. “Percebi que tinha que criar um erro no
site, para, assim, conseguir entrar e retirar o conteúdo”,
afirmou, rindo da própria habilidade.
‘Anjos do Orkut’ tentam evitar mensagens de ódio
Um trabalho semelhante é realizado no Orkut – maior comunidade
virtual do planeta. Os “Anjos do Orkut” surgiram para invadir, e
retirar do ar, comunidades e perfis de usuários que façam qualquer
tipo de apologia ao racismo, pedofilia, maus-tratos a animais e
outros abusos. Basta uma rápida vasculhada nas comunidades
compostas por milhares de usuários pra encontrar absurdos do tipo:
“Eu maltrato animais” e “Pelo amor, apóio a pedofilia”.
Em sua página principal, o Orkut traz a seguinte mensagem: “O
Orkut é uma comunidade on-line que conecta pessoas através de uma
rede de amigos confiáveis”. Talvez a intenção do criador do site
tenha sido esta, no entanto, muita gente tem usado os recursos da
internet para propagar mensagens de ódio, além de imagens de
animais e seres humanos, em condições adversas. “Acho que o Orkut
está sendo bem cuidado por eles (os “Anjos do Orkut”)”, ressalta
Shaman 286, elogiando o esforço dos colegas pelo mesmo objetivo:
“O combate ao mal”.
Os “Anjos” agem quase que da mesma forma do Un_Root e Go2Think.
Através de denúncias de usuários, eles invadem e retiram do ar,
perfis e comunidades.
Além de seguidores, os jovens também têm inimigos. Pelo menos 30
comunidades foram criadas em repúdio ao que é feito diariamente
pelos benfeitores. São mensagens de ódio, de pessoas que tiveram
suas comunidades invadidas e perfis “roubados” pelos “hackers do
bem”.
PROCESSO
O delegado de Polícia Federal da Coordenação-Geral de Política
Fazendária, em Brasília, Adalton de Almeida Martins, afirma que,
apesar de bem intencionado, este tipo de ataque não é interessante
para a Polícia.
“Você tira um site do ar e a pessoa faz outro. Precisamos pegar o
responsável e não o site. Temos que denunciar o pedófilo, para
indiciar e processar”, disse Martins. Um projeto da PF,
encaminhado recentemente ao Ministério da Justiça, prevê a criação
de um núcleo da PF especializado no combate a crimes cibernéticos.
http://jornaldaparaiba.globo.com/gera-4-260206.html
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