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NOTÍCIAS DO BRASIL E DO MUNDO

 

Ativistas de direito dos animais são acusados de agressões 

The New York Times
01/03

David Kocieniewski


TRENTO, Nova Jersey – Um cientista de um laboratório de testes em animais encontrou seu carro revirado e as janelas de sua casa, quebradas. Uma executiva de companhia de seguros no Texas recebeu uma mensagem de e-mail ameaçando decapitar sua filha de 7 anos. Um empregado do Bank of New York, em Long Island, encontrou sua casa vandalizada e seu barco de 21 pés afundado.

Pelo menos duas correntes comuns conectam estes ataques e mais de uma dúzia de outros através do país de 2001 a 2003, de acordo com promotores federais. Todas as vítimas trabalhavam para companhias que faziam negócios com a Huntingdon Life Sciences, uma companhia britânica que opera um laboratório de testes em animais em Somerset County, Nova Jersey. E seus endereços de casa e outras informações pessoais foram postados no web site do grupo de direitos dos animais Pare a Crueldade Animal em Huntingdon.

Autoridades federais insistem que o padrão de violência não foi coincidência. Nas últimas três semanas, promotores federais têm tentado convencer um júri federal que o grupo e seis de seus membros são culpados de conspiração e tocaia, embora não haja provas que quaisquer réus tenham cometido alguma das violências.

Se condenados, os acusados enfrentam sentenças de prisão de até 23 anos e multas de mais de U$1 milhão.

O julgamento, o qual começou deliberações do júri na terça-feira num Tribunal Distrital dos EUA aqui, marca a primeira vez que oficiais federais procuraram processar ativistas sob o Ato de Empreendimento de Terror Animal, aprovado em 1993 para conter as táticas mais agressivas de alguns grupos de direitos dos animais.

Um oficial federal de contra-terrorismo recentemente disse ao Congresso que grupos de direitos dos animais se colocam na ameaça mais séria de terrorismo doméstico.

Promotores dizem que os ativistas usaram seu Web Site como o centro nervoso de uma campanha de violência e intimidação. O grupo postou os nomes e endereços dos “alvos” em um web site que também mostrava um documento detalhando “20 táticas de terror” e mantinha uma atualizada contagem de ataques violentos a funcionários da Huntingdon e seus associados, a qual é chamada de “uma lista que pode ser ultrapassada e sobrepujada”.

“Eles eram generais na guerra”, disse o assistente do procurador-geral Ricardo Solano em argumentos de fechamento. “E como em qualquer guerra, os generais nem sempre sabiam todos os passos dos soldados”.

Mas os ativistas afirmaram que eram culpados de nada mais do que muito zelo e más maneiras. Enquanto advogados de defesa cederam que os membros do grupo estavam ocasionalmente em tom combativo, eles argumentaram que seus clientes estavam simplesmente exercendo o direito da Primeira Emenda para protestar e não deveriam ser responsabilizados pela violência cometida por extremistas desconhecidos.

“Advogar insolentemente não é um crime”, disse Eric Schneider, um advogado do ex-presidente do grupo, Kevin Kjonaas, 28 anos.

Promotores citaram uma série de ações, entretanto, que disseram terem sido instigadas pelos acusados, incluindo ameaças de morte, janelas quebradas, casas pintadas a spray com a frase “matador de animaizinhos” e um ataque à bomba em uma companhia da Califórnia que fazia negócios com a Huntingdon.

Eles também disseram que os membros do grupo procuraram aterrorizar seus alvos ao postar os nomes de seus filhos, idades, escolas e itinerários depois da escola.

Promotores produziram uma série de conversas, discursos e mensagens de e-mail na qual membros do grupo expressaram exultação em ataques violentos, freqüentemente usando a palavra “nós” para reivindicar o crédito para eles.

Eles também tocaram uma fita de vídeo de um áspero protesto do lado de fora da casa de um dos alvos do grupo, que mostrava Lauren Gazzola, um réu, vangloriando-se que a polícia havia sido incapaz de proteger as vítimas de vandalismo e ataques a bomba anteriores.

“A polícia não pode ajudar você”, gritou Gazzola em um megafone.

Mas advogados de defesa repetidamente relembravam o júri de que, embora seja ilegal incitar violência, não é contra a lei advogar comportamento ilegal para alcançar uma meta política. Eles também procuraram apresentar o obediente lado do movimento dos grupos de direitos dos animais, dizendo que as ações de uns poucos extremistas haviam ofuscado os muitos cidadãos obedientes à lei preocupados com o tratamento dos animais.

Executivos da Huntingdon disseram que sua companhia usa os métodos mais humanos possíveis quando testa animais para as indústrias de alimentos e cosméticos. Mas Administração de Alimentos e Drogas exige que drogas sejam testadas em animais antes de terem aprovação, e laboratórios de testes como o Huntingdon são contratados para executar estes experimentos, freqüentemente injetando uma substância em animais de testes, e então matando para dissecá-los.

O web site do grupo nota que a Huntingdon foi multada em U$50 mil em 1998 pelo Departamento de Agricultura por abusos a animais e diz que a companhia secretamente acoberta tratamentos cruéis como alimentação forçada de animais, bater nos bichinhos e fazer amputações quando os animais ainda estão conscientes.

http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/nytimes/2290501-2291000/2290583/2290583_1.xml

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