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NOTÍCIAS DO BRASIL E DO MUNDO

 

Homem é morto a tiro e facada ao defender cão

Correio Popular de Campinas
Publicada em 5/3/2007

Carla Silva
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
carla@rac.com.br 


O pintor Francisvaldo Dias, de 41 anos, foi assassinado com um tiro na nuca
e uma facada no peito, depois de defender da morte o cão Spike, sem raça definida. O crime aconteceu na noite de sábado, em uma viela da Rua Joaquim Lourenço de Godoy, no Jardim Novo Campos Elíseos, em Campinas. O motorista Vanderly Fernandes de Jesus, de 29 anos, e seu irmão, o ajudante Vancarlos, de 22 anos, foram presos e apontados por testemunhas como os autores do homicídio. O caso foi registrado no plantão do 9 Distrito Policial, no Jardim Aeroporto.

A vítima foi enterrada na tarde de ontem, no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, no bairro dos Amarais, em Campinas. Segundo moradores do bairro, Spike, que é o pivô do crime, é um cachorro "simpático", mas que tem como "defeito", se é que se pode chamar assim, latir quando as pessoas passam por ele. Em algumas ocasiões, chega a avançar nelas. "Ele já mordeu o Carlos (Vancarlos)" , disse uma moradora do bairro.

Em depoimento à Polícia Civil, testemunhas que presenciaram o crime contaram que Vancarlos passou em frente à casa onde fica Spike e avisou o dono do animal - um homem identificado como Antônio de Paiva, o "Tonhão" -, que iria matar o cachorro e quem o defendesse. Minutos depois, cumprindo o prometido, Vancarlos voltou ao local com seu irmão Vanderly. Os dois, de acordo com o boletim de ocorrência, estavam com uma arma, provavelmente um revólver de calibre 38, e uma faca.

Ainda conforme a versão das testemunhas, houve uma discussão entre os supostos assassinos, a vítima e Tonhão. Em um determinado momento, os agressores deram um tiro que acertou a nuca do pintor e uma facada no peito dele. Moradores acionaram uma equipe do Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu), mas, quando ela chegou ao local, a vítima já estava morta. Os suspeitos fugiram. A Polícia Militar foi chamada até o bairro e lá testemunhas apontaram quem foram os autores do crime. Foi quando descobriram que durante a confusão, Vancarlos se feriu com a arma usada para matar Dias.

Vancarlos e seu irmão foram levados para o Hospital e Maternidade Celso Pierro. Enquanto eram atendidos, policiais militares tiraram fotografias dos dois e as mostraram para testemunhas. Ambos foram reconhecidos como os autores do crime e presos pelos PMs. Como Vancarlos passou por cirurgia e permanece internado, está detido no hospital com escolta policial. Já o seu irmão, Vanderli, foi levado para a cadeia do 2 Distrito Policial. Os dois foram indiciados pelo crime de homicídio qualificado.

A reportagem da Agência Anhangüera de Notícias (AAN) foi a casa de parentes da vítima para falar sobre o assunto, assim como na residência de Tonhão, mas ninguém foi localizado para comentar o crime.

A FRASE

"Esse é um típico exemplo de um crime banal que está comum na periferia de Campinas."

OSWALDO DIEZ JÚNIOR - Delegado do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP)


Campinas: Bairro adota cão que foi pivô de assassinato

 

Publicada em 05-03-2007

Carla Silva / Agência Anhangüera
http://www.cosmo.com.br/cidades/campinas/integra.asp?id=187173


O pintor Francisvaldo Dias, de 41 anos, foi assassinado na noite de sábado
após defender da morte o cão, vira-lata, Spike. A família da vítima, assim como os demais moradores do Jardim Novo Campos Elíseos, "adotaram" o cachorro e defenderam a atitude Dias em salvar o animal. "Todos nós gostamos do Spike", disse a dona de casa Valdinéia Dias de Oliveira, irmã do pintor. "Ele é um cachorro querido da galera. Quantas vezes já correu atrás de mim, mas é só passar a mão que ele começa a brincar", disse o morador Elias Alves de Oliveira.

Dias foi morto com um tiro na nuca e uma facada no peito, às 20h30 de sábado, na esquina da casa de sua irmã localizada em uma viela da Rua Joaquim Lourenço de Godoy. Os irmãos Vanderly e Vancarlos de Jesus foram reconhecidos por testemunhas como autores do crime e presos pela Polícia Militar ainda na noite de sábado. A motivação seria o fato de Spike ter mordido Vancarlos anteriormente e todas as vezes que ele passava o cachorro latia. "Vou matar esse cachorro e quem se opor morrerá também, teria dito o suspeito, conforme boletim de ocorrência registrado no plantão do 9º Distrito Policial, no Jardim Aeroporto. E Dias se opôs.

"Quando o Vancarlos disse que iria matar o animal, o Tonhão (dono do Spike) pediu para que ele não fizesse isso porque ele era bonzinho. Foi quando começou a confusão e meu irmão morreu" , contou a dona de casa. A morte do pintor aconteceu na noite em que a família comemoraria o aniversário de três anos de um sobrinho. "Até parece que meu irmão sabia que ia morrer. Ele acordou bem cedo, alegre, dizendo que iria comprar umas cervejas para o aniversário. À noite aconteceu tudo isso" , disse em prantos Valdinéia. Dias era o único irmão que ela tinha vivo, os outros dois faleceram.

O choque para a família foi tamanho, que a irmã da vítima cogita a idéia de deixar o bairro. "Vou colocar a minha casa a venda e assim que conseguir passar ela para frente vou embora. Eu não tenho mais condições de morar em um lugar desse. Todas as vezes que eu saio no portão de casa me vem na mente a cena do meu irmão sendo assassinado" , argumentou Valdinéia.

Dias era casado, pai de cinco filhos - quatro meninas e um menino - com idades entre 1 e 15 anos. Nascido no estado do Mato Grosso do Sul, ele casou há dez anos e foi morar em Santos. Há duas semanas ele mudou-se para Campinas com a mulher e os filhos

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