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NOTÍCIAS DO BRASIL E DO MUNDO

 

Para especialistas, homem destrói mais do que catástrofes naturais

 

da EFE, em Córdoba - A atividade humana está causando mais destruição do que as catástrofes naturais registradas no mundo ao urbanizar zonas inadequadas, contribuir para o aquecimento do planeta e enfrentar de forma errada os fenômenos que afetam a Terra. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira no VIII Seminário de Jornalismo e Meio Ambiente.
O evento, realizado na cidade espanhola de Córdoba, foi organizado pela Empresa Nacional de Resíduos Radiativos da Espanha e pela Agência EFE.
O diretor responsável pela Estratégia Internacional para a Redução de Desastres das Nações Unidas, Salvador Briceño, disse que o aquecimento causará furacões e inundações ainda mais fortes. "É fundamental estar preparado, educar a população e reforçar a infra-estrutura", disse.
Os desastres naturais atingem, a cada ano, 200 milhões de pessoas. Mas "todos somos vulneráveis" diante destes fenômenos que aumentam por causa da urbanização inadequada, da degradação do meio ambiente e do aquecimento do planeta, acrescentou.
Os efeitos de um mesmo fenômeno não são os mesmos em todos os lugares onde ocorrem. "O furacão não mata. São as pessoas que se expõem ao perigo", garantiu. Isto explica porque um abalo de 7,2 graus pode causar apenas 15 feridos no Japão e 26 mil mortos no Irã.
O mesmo ocorre nos Estados Unidos. Lá há Estados muito preparados para enfrentar possíveis catástrofes, como Flórida e Califórnia, e outros que não estão, como Louisiana e Mississippi.
A ONU promove uma "cultura da prevenção" que, de acordo com Briceño, é difícil de disseminar. Isso porque implica investir agora em algo que, futuramente, trará "benefícios intangíveis".

 

 

O mais conhecido Paleoantropologista do mundo considera os chimpanzés nossos irmãos...

 

Nossos parentes ameaçados


por Richard Leakey, 22 de Setembro de 2005

"Eu tenho sempre sentido que uma injustiça foi feita quando a ciência classificou diferentes espécies no mundo, pois isto foi feito por uma parte com interesses. Se a humanidade não tivesse tido interesse, nós teriamos sido o quinto grande primata.
Nós não somos diferentes dos grandes primatas em nenhum ponto significante. Quando observamos chimpanzés, orangotangos, gorilas ou bonobos, nós estamos olhando membros de uma família.
Como foi revelado recentemente, a composição genética de chimpanzés e humanos é virtualmente idêntica, sendo que a divergência evolutiva dos primatas quando comparados aos humanos é irrelevante em termos cronológicos.
Anos de pesquisa tem revelado que os grandes primatas fazem ferramentas, se auto medicam, têm atividades culturais e lingüísticas de comunicação, administram estresse e lidam com conflitos e até guerras. Eles lamentam, invejam, riem, consolam-se, recentem-se, e reconciliam-se, e suas emoções e personalidades são tão evocativas de humanidade que estudos recentes focam-se em aspectos relativamente mundanos como se os chimpanzés são naturalmente destros.
Em um momento no qual a humanidade é agredida com tsunamis, furacões, fome, seca e outros efeitos colaterais de mudanças climáticas - acrescidos de conflitos humanos - vale a pena considerar a situação precária dos grandes primatas. Simplesmente, algumas espécies podem ser extintas das matas em 25 anos, e todas podem vir a desaparecer no curso de vida de minha neta.
Chimpanzés já desapareceram de quatros países que eles habitavam, e o atlas dos grandes primatas publicado neste mês pelo Projeto das Nações Unidas de Sobrevivência dos Grandes Primatas, revela que os habitats naturais da maioria dos grandes primatas está comprometido por densidade demográfica e indústrias madeireira e de minério. Não é nenhum acidente que a diminuição das florestas equatoriais através da África e da Ásia acompanhem o desaparecimento dos grandes primatas; como os residentes da Costa do Golfo na América, os grandes primatas estão cada vez mais sem habitat. Até em lugares aonde suas florestas perduram, eles são extensamente caçados.
Um ponto em que nós somos melhores que os grandes primatas é em nossas mentes, por isso é hora de usá-las. Representantes de 21 nações africanas e asiáticas se reuniram este mês na capital da República Democrática do Congo, Kinshasa, para assinar a declaração dos Grandes Primatas, o primeiro documento a nível das Nações Unidas que compromete a participação na proteção por parte de países aonde os grandes primatas residem. Organizado pelo Projeto de Sobrevivência de Grandes Primatas, e em uma parceria única com nações, doadores, cientistas e simpatizantes, a declaração pode ser a melhor e ultima esperança dos Grandes Primatas.
A declaração está baseada na estratégia global que trata dos desafios imediatos para salvar dos perigos iminentes de extinção as populações de Grandes Primatas. Mas ela faz mais do que isso. Ela também une os delegados como parceiros e pede a eles que juntem documentos relevantes, como atlas, tratados, memorandos de acordos, priorizando pontos críticos que sinalizem um plano coerente de ação.
A declaração não é feita para levantar fundos ou resolver problemas financeiros, visto que recentes desenvolvimentos no G8 deixaram claro que fundos sozinhos não poderão nunca resolver os problemas da Africa. O problema atual dos Grandes Primatas não é falta de dinheiro e sim a falta de estratégia. A declaração salvará os Grandes Primatas por ela só? Não. Mas ela cria uma estrutura aonde nações reconhecem a necessidade do trabalho conjunto nesse sentido.
A humanidade tem sofrido muito nos últimos anos e não existe alívio para isso. Porém, a compaixão humana mesmo em tempos difíceis tem sido nosso maior legado. Este é o motivo que uma simples declaração sobre Grandes Primatas, assinada numa cidade que tem sofrido com guerra civil, doença e corrupção por tanto tempo, me dá esperança. Tentando salvar nossos irmãos chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos nós mostramos o melhor da humanidade e fechamos uma lacuna que nunca deveria ter existido.
Richard Leakey, um paleoantropologista e meio ambientalista, é um consultor especial do Projeto das Nações Unidas para Sobrevivência dos Grandes Primatas."

(Publicado em 22/09/2005 no Jornal Boston Globe)

Notícias do GAP 23.09.2005

 

   
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