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Embarcações pesqueiras tentaram atacar uma
lancha com observadores de organizações protetoras dos animais
25 de março de 2006
EFE
CANADÁ -
A temporada de caça de 325 mil focas no litoral atlântico canadense
começou neste sábado em meio a incidentes, quando duas embarcações
pesqueiras tentaram atacar uma lancha com observadores de organizações
protetoras dos animais.
Neste ano, as condições naturais estão muito difíceis. As temperaturas
amenas do inverno fizeram com que a camada de gelo que habitualmente cobre
grandes áreas do golfo de São Lourenço esteja reduzida a pequenos pedaços
de gelo flutuantes. Alguns cientistas, assim como as organizações de
proteção animal que têm combatido a caça, ressaltam que a escassez de gelo
elevou a mortalidade entre os filhotes nascidos nas últimas semanas.
O professor David Lavigne, uma das maiores autoridades científicas do
mundo em focas-harpa, afirmou que, segundo os próprios dados das
autoridades canadenses, nos últimos meses - em que o gelo esteve mais
fraco - a mortalidade situou-se entre 25% e 75% dos filhotes.
A falta de grandes placas de gelo flutuantes também dificulta a caça para
os pescadores, que têm de disparar à distância contra as focas, em vez de
golpeá-las na cabeça, sobre o gelo, como se faz tradicionalmente na
região. O uso de rifles, a dispersão das focas e sua escassez tornarão a
caça deste ano menos rentável para os pescadores canadenses.
Nesse panorama, os ânimos se exaltaram quando jornalistas estrangeiros
convidados pela Sociedade Protetora de Animais dos Estados Unidos (HSUS,
na sigla em inglês) para presenciar a caça observavam um grupo de
pescadores tirar a pele de algumas das focas mortas.
Após fazerem algumas manobras em águas cheias de pequenos pedaços de gelo
flutuantes - que tornam mais difícil dirigir as lanchas -, os pescadores
jogaram sua embarcação contra a da HSUS à toda velocidade. A rápida ação
do piloto da embarcação da sociedade americana evitou o choque.
Entretanto, os pescadores aproveitaram a relativa proximidade dos
observadores para jogar os intestinos de uma das focas contra os
jornalistas e ameaçar os repórteres com suas facas. Pouco depois, uma
segunda embarcação tentou a mesma manobra, com resultados semelhantes.
"É algo típico dos caçadores de focas, apesar de termos licenças para
observar a caça e cumprirmos com as normas canadenses", disse Rebecca
Aldworth, diretora da campanha contra a caça de focas da HSUS.
As autoridades canadenses negam, entretanto, que a situação atual
represente uma ameaça para as focas-harpa. Segundo o porta-voz do
Ministério de Pesca canadense, Phil Jenkins, as autoridades incluíram em
seus modelos de gestão do impacto ambiental fatores como o aquecimento
global e o desaparecimento da camada de gelo. "É por isso que, nesta
ocasião, só estabelecemos uma cota de caça para 2006", afirmou Jenkins.
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Membros da Sociedade
Protetora de Animais dos Estados Unidos filmam uma foca morta |
http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/mar/25/168.htm |
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