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28-03-2006
Morrissey revelou que recusa tocar ao vivo no Canadá, em protesto contra a
morte de focas para fins comerciais. O governo do país aprovou
recentemente a caça de mais de 300 mil e o cantor veio juntar a sua voz à
daqueles que consideram a prática um «massacre brutal e cruel».
Numa frase que colocou no seu website, o cantor é peremptório ao afirmar
que os concertos da tournée do novo álbum, "Ringleader Of The Tormentors"
não vão passar pelo Canadá, devido ao «massacre bárbaro de 325 mil focas
bebés, que está a ser levado a cabo».
Morrissey crítica, ainda, as declarações do primeiro-ministro canadiano,
que defende a matança com justificações económicas e ambientais. «Isso é
falso» diz o ex-Smiths, que acrescenta que «o primeiro-ministro canadense
também sustenta que a morte das focas é necessária, porque cria postos de
trabalho nas comunidades locais, mas esta é uma razão ignorante».
Para o cantor os argumentos usados pelo representante politico do país não
desculpabilizam a «matança de seres vivos», defendendo que «as câmaras de
gás alemãs também davam trabalho a alguém, mas isso não é um motivo
moralmente aceitável para permitir o sofrimento», remata Morrissey.
Morrissey gerou polémica na Inglaterra, ao defender a ação de grupos como
a Animal Rights Militia e os Hunt Saboteurs, activistas dos direitos
animais que admitem o recurso à violência para atingirem os seus fins.
Numa sessão de perguntas e respostas promovida pelo site de fãs True To
You, o ex-Smiths responde da seguinte forma a um fã francês: «Apoio o
trabalho da Animal Rights Militia em Inglaterra e compreendo porque é que
os fur-farmers e os chamados cientistas de laboratório apanham com a
violência - é porque fazem uso dessa mesma violência e é a única linguagem
que compreendem. São os mesmos princípios que subjazem à guerra».
«Chegámos a um ponto em que já não dá para argumentar com as pessoas. É
por isso que a Animal Rights Militia e os Hunt Saboteurs existem.
Geralmente, são pessoas muito inteligentes que se vêem forçadas a agir
porque a lei é vergonhosa ou amoral», defende Morrissey.
As declarações de Morrissey levaram o deputado conservador e ministro
sombra para os Assuntos Internos, David Davis, a afirmar ao "Sunday Times"
que «numa sociedade civilizada, qualquer incentivo à violência é
evidentemente errado e deve ser investigado pela polícia».
Vítima frequente de ataques daqueles grupos, a empresa Huntingdon Life
Sciences, que faz testes farmacêuticos, industriais ou alimentícios em 75
mil animais por ano, foi também ouvida pelo "Sunday Times". «As pessoas
podem ter as suas opiniões, mas desvalorizar ou encorajar atos de
violência é completamente errado e não devia ser permitido, numa
democracia», diz um representante da Huntingdon Life Sciences àquele
jornal.
Na mesma sessão de perguntas e respostas com fãs, Morrissey fala do seu
novo álbum, "Ringleader of the Tormentors", e do tempo que passou em Roma
para gravá-lo, não deixando de criticar alguns hábitos dos italianos.
«Apesar de admirar a incrível preocupação das pessoas com o estilo, em
Roma, a grande presença de peles é o aspecto mais horrível da
personalidade da mulher italiana. São sempre as mulheres que usam peles,
nunca os homens. Os homens inventam guerras, as mulheres usam peles»,
aponta. «Em Roma, as mulheres andam pela rua literalmente com gatos e cães
mortos pendurados nos ombros. No passado, isto pelo visto era símbolo de
status ou de ser sexy. Não percebo como é que as mulheres podem ser
inteligentes e mesmo assim usar peles».
fonte:
http://cotonete.clix.pt/aspx/news_body.aspx?news_id=29351 |
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