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Segunda, 5 de dezembro de 2005
EFE -
Identificado há oito anos, o vírus H5N1 tomou conta da imprensa em
2005, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou todos os
países de que a gripe aviária pode provocar a primeira grande
pandemia do século XXI.
Embora a maior parte dos casos entre aves tenham sido detectadas em
países da Ásia, infecções ocasionais apareceram nos últimos meses em
países como Rússia, Ucrânia, Romênia, Bulgária, Macedônia, Croácia,
Grã-Bretanha e Colômbia, o que alarmou autoridades de saúde.
O século XX sofreu três epidemias de gripe (1918, 1957 e 1968), o
que leva os especialistas a acreditarem que a cada trinta anos, em
média, pode ocorrer uma, caso as providências necessárias não sejam
tomadas.
A OMS elevou para 3 o nível de alerta, o que significa que há risco
de contágio entre humanos, e conseguiu conscientizar os Governos
sobre a necessidade de se coordenarem para evitar a pandemia.
O trabalho foi feito com o objetivo de conter a propagação do vírus
entre as aves. Cerca de 140 milhões de espécies já foram
sacrificadas, além da criação de sistemas potentes de isolamento e
vigilância.
Os especialistas asseguram que a temida epidemia ainda não ocorreu,
pois o vírus não é capaz de propagar-se entre humanos.
Mutações, no entanto, podem tornar isso possível, gerando uma doença
com capacidade de contágio muito superior à da pneumonia asiática,
por exemplo.
Não se sabe exatamente como será a estrutura genética do vírus capaz
de transmitir-se entre humanos, motivo pelo qual uma vacina
específica ainda não pôde ser criada.
A OMS recomenda o armazenamento de Tamiflu, um antiviral cuja
patente pertence à empresa suíça Roche, que é considerado eficaz na
contenção da doença durante os primeiros meses de uma suposta
epidemia.
Devido à pressão internacional, a Roche se viu obrigada, neste ano,
a permitir a fabricação de seu antiviral por outros laboratórios,
assim como a suspender sua distribuição nas farmácias de
determinados países para que não fosse consumido maciçamente antes
que seja realmente necessário.
A primeira morte humana em 2005 foi a de uma menina vietnamita de
dez anos. Desde então, 24 pessoas perderam a vida infectadas pelo
H5N1.
Além disso, começou-se a se detectar uma expansão territorial da
ameaça através das rotas migratórias das aves aquáticas silvestres,
como a FAO já havia advertido em agosto.
Assim, foram detectados focos em animais de países como Mongólia,
Rússia, Cazaquistão, Turquia, Romênia, Grécia, Croácia e Reino
Unido, o que disparou todos os alarmes.
Nos últimos dois anos, a gripe aviária matou 68 das 132 pessoas que
infectou, o que significa uma taxa de mortalidade superior a 50%.
Delas, 42 viviam no Vietnã, 13 na Tailândia, 7 na Indonésia, 4 no
Camboja e o mesmo número na China, país no qual duas mortes
ocorreram no intervalo de poucas semanas, além de diversos casos em
animais.
O verdadeiro alarme social teve início em setembro, com a guerra de
números. Enquanto alguns especialistas diziam que a epidemia poderia
causar 7,5 milhões de mortes humanas, outros chegaram a apontar
números de até 150 milhões.
Prevendo o pior, a OMS liderou durante este ano diversas reuniões de
âmbito internacional. Esta é a primeira vez na história que o
organismo se encontra de sobreaviso perante a possível chegada de
uma epidemia.
A OMS já lançou os primeiros sinais de alarme, em fevereiro no
Vietnã e em maio em Genebra. A Assembléia Mundial da Saúde aprovou
um novo Regulamento Sanitário Internacional para evitar sua
propagação e melhorar a cooperação.
Em Bruxelas, a União Européia (UE) decidiu limitar a importação de
aves e evitar sua exposição ao ar livre, e aprovou o envio de 30
milhões de euros para o combate à gripe na Ásia, assim como outros
45 milhões para pesquisa.
Em sua última grande reunião, realizada em novembro na cidade de
Genebra, o Banco Mundial (BM) estimou as necessidades de
financiamento em cerca de 1 bilhão de euros, e avaliou em 2% do PIB
mundial as possíveis perdas que poderiam ser causadas pelo H5N1 à
economia global. |
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