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06/03/2006
Um grupo de 50 pessoas formado por moradores de comunidades da
região de Santarém e a Organização Não-Governamental Greenpeace,
fizeram um protesto contra o desmatamento da Amazônia,
impulsionado pelo plantio de soja.
O grupo de 50 pessoas viajou cerca de 5 horas por estradas de
terra em precárias condições para chegar a uma área de 1.650
hectares totalmente devastada, conhecida como Gleba Pacoval. Ali,
o grupo abriu uma faixa de 2.500 metros quadrados com a mensagem
“100% Crime” e plantou mudas de castanheiras. De acordo com o
Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis), este é o maior desmatamento da região nos últimos
sete anos.
O presidente da Associação dos Produtores Agrícolas de Santarém (Apas),
José Donizetti Pires de Oliveira, identificado pelo Ibama como
responsável pelo desmatamento, reagiu ao protesto. Ele passou com
o carro por cima da faixa várias vezes para destruí-la, quebrou o
vidro de uma das caminhonetes e agrediu os manifestantes. Ninguém
ficou ferido.
A Gleba Pacoval tem cerca de 400 mil hectares e é coberta por
densa floresta tropical úmida, riquíssima em espécies vegetais e
animais. A área integra um dos últimos grandes fragmentos
florestais desta região do Pará, e está sob grande pressão de
fazendeiros, madeireiros e grileiros.
O desmatamento anual nos municípios de Belterra e Santarém pulou
de 15 mil para 28 mil hectares entre 2002 e 2004 com a chegada da
soja (1). Para barrar a destruição da floresta, o Greenpeace
propõe a criação de um mosaico de unidades de conservação com
cerca de 1,7 milhão de hectares, que incluiria áreas de proteção
integral e áreas de uso responsável.
No dia 31 de janeiro, Donizetti foi multado em R$ 1,49 milhão por
desmatar ilegalmente 995 hectares de floresta. Ele é reincidente
no crime: em maio de 2005, fiscais do Ibama constataram
desmatamento de 650 hectares no mesmo local. Na época, a área foi
embargada, bem como quatro tratores e correntes utilizados para a
derrubada das árvores. Segundo o Instituto, “as máquinas tiveram
os lacres rompidos e estavam sendo utilizadas para desmatar a nova
área, provavelmente para o cultivo de grãos, desrespeitando o
embargo. As áreas desmatadas, somadas, representam mais de 1.645
hectares de florestas nativas destruídas”.
O empresário também foi multado em R$ 60 mil por “incinerar e
desvitalizar 120 metros cúbicos de castanheiras para fins de
implantação de projeto agrícola não-licenciado, em desacordo com
determinações legais”. A castanheira (Bertholetia excelsa) é a
árvore símbolo da Amazônia e espécie protegida por lei. O corte da
castanheira está proibido desde 1994, pelo Decreto Federal nº
1982. O fruto desta árvore, que chega a atingir 60 metros de
altura – a castanha do Pará ou castanha do Brasil – tem grande
importância na alimentação das comunidades tradicionais e forte
penetração no mercado nacional e internacional. Segundo o Ibama,
Donizetti se recusou a assinar os dois autos de infração.
O protesto de hoje é parte da campanha do Greenpeace para expor a
alarmante perda de biodiversidade decorrente da destruição de
oceanos e florestas na Amazônia e no mundo. Às vésperas da
Convenção da Diversidade Biológica (CDB), que tem início no dia 20
de março, em Curitiba (PR).
http://www.oliberal.com.br/plantao/noticia/default.asp?id_noticia=142709
Fonte: Greenpeace |
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