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Moradores dos bairros
Fazenda e Praia Brava, em Itajaí, Litoral Norte do Estado, estão
revoltados com a morte de mais de 30 animais de estimação.
A matança aconteceu em apenas uma semana. A contagem foi feita pela
ONG SOS Animal, que trabalha para evitar o sacrifício e o abandono
de bichos em Itajaí.
A indignação fez com que os donos dos cães e gatos mortos
denunciassem o envenenamento. No bairro Fazenda, os proprietários de
animais mortos fizeram uma passeata no último domingo.
De acordo com o veterinário Sérgio Wawginiak, o motivo da maior
parte das mortes é a ingestão do veneno estricnina.
– Toda semana atendo de quatro a cinco animais envenenados por essa
substância aqui no consultório – comenta.
Segundo o veterinário, o veneno é colocado no chão junto com porções
de comida para atrair os animais, mas uma criança que brinque nas
redondezas poderia ingerir o veneno sem saber.
O voluntário Roberto Pereira, da SOS Animal, disse que o fato é
comum em Itajaí. Pereira afirmou que quem envenena os bichos coloca
várias doses do veneno na rua, o que acaba matando muitos animais.
Para o voluntário, a única maneira de acabar com as mortes é
restringir o uso da estricnina, que é comercializada ilegalmente
apesar da proibição da Vigilância Sanitária.
O órgão fará um rastreamento nas agropecuárias da cidade para
identificar a venda ilegal do veneno, mas até agora não encontrou
irregularidades.
O proprietário flagrado vendendo a substância pode ser multado e ter
o estabelecimento interditado.
Extraída da semente de uma noz, a estricnina foi descoberta pelos
cientistas como um remédio para o tratar doenças no coração, pois em
doses muito pequenas acelera a freqüência cardíaca.
Como é uma substância barata, é largamente utilizada para exterminar
ratos e outros animais.
Segundo veterinários, a morte pelo envenenamento é muito dolorosa,
pois a substância aumenta o ritmo cardíaco até que o músculo entre
em colapso. Não existe antídoto contra a estricnina.
JORNAL DE SANTA CATARINA
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