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Cães sofrem maus-tratos no paraíso das baleias
Carrocinha da prefeitura de Imbituba é criticada por ambientalistas

 

Do Diário Catarinense - dia 9 de fevereiro de 2006

CRISTIANO RIGO DALCIN/ Imbituba

Três vezes por semana, o freteiro Édio Porto Luiz, 54 anos, percorre as praias de Imbituba, a serviço da prefeitura, em busca de cães errantes (abandonados ou perdidos). A iniciativa previne a transmissão de doenças e garante a beleza das praias, mas não acaba bem.

À espera dos donos ou interessados, os cães são depositados em um canil improvisado nos fundos da casa de Édio, na Vila Nova. O local chamou a atenção da Ong Fundo Vira-Lata, de defesa dos animais em Garopaba e Imbituba.

- É incrível que isso possa acontecer em Imbituba, que se vangloria das baleias francas, mas trata tão mal esses bichinhos. É um crime nacional e internacional o que a prefeitura faz com esse serviço - afirma Paulo Botafogo, do Fundo Vira-Lata.

A reportagem do DC esteve na casa de Édio para conferir a denúncia. Um portão de ferro protege o pátio de olhares curiosos. O canil improvisado, localizado nos fundos do pátio, tem seis metros quadrados de área e abriga mais de uma dezena de cães, na maioria vira-latas, de diferentes tamanhos e idades.

No canto do canil, pilhas de telhas quebradas são o refúgio contra a chuva ou o sol. Do lado de fora, dois vira-latas acorrentados. Um deles, cego, é "cuidado" pela filha de Édio. O outro, infestado por pulgas, chora diante da ação das parasitas. Eles também têm refúgio sob telhas de fibrocimento apoiadas entre o chão e a parede de madeira do canil.

A "carrocinha" de Édio também é improvisada. Trata-se de um caminhão para frete de gado. Na frente da carroceria, uma placa contempla as inscrições "A Serviço da PMI (Prefeitura Municipal de Imbituba)" e o telefone celular de Édio.


Devolução aos donos é feita mediante uma taxa

Ao atender um chamado para buscar um cão errante na Praia do Rosa, Édio comentou:

- Lá, 90% das pessoas não gostam que eu recolha os cães. É onde mais tem cachorro na praia.

Esse ano, Édio calcula ter apanhado mais de 50 cães. Os menores dão mais trabalho. Ele conta que pega os animais com as próprias mãos, na "pelanca" do pescoço. Em último caso, usa uma espécie de cambão, também improvisado, e uma corda.

Édio negou que já tenha sacrificado algum animal. Ele afirma fazer doações a interessados que batem à sua porta ou a devolução aos próprios donos, mediante pagamento de taxa em órgão da prefeitura.

 

 


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