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08 de Dezembro de 2006
Mais de 5.000 gorilas teriam morrido em recentes surtos do vírus
Ebola na África central, segundo um estudo da Universidade de
Barcelona divulgado nesta sexta-feira na revista americana Science.
De acordo com os cientistas, que conduziram a pesquisa em colônias
de gorilas no Congo e no Gabão, as epidemias, somadas à caça
comercial dos primatas, podem em breve levá-los à extinção.
Os pesquisadores registraram mortes em massa dos gorilas do
Santuário de Lossi, no Congo, entre 2002 e 2004. "A epidemia de
Lossi matou tantos gorilas ocidentais quanto existem hoje
exemplares da espécie oriental", revelou Magdalena Bermejo, a
responsável pelo estudo. Ela explicou que existem hoje duas
espécies de gorilas no planeta - os orientais e os ocidentais. Sua
pesquisa se concentrou nos ocidentais.
Os cientistas concluíram que, além de serem infectados com o Ebola
por outros animais, como morcegos, por exemplo, os gorilas
estariam transmitindo a doença entre eles mesmos. Para os
pesquisadores, a disseminação do Ebola é aparentemente mais rápida
em macacos do que em humanos. O vírus já vitimou muitos chimpanzés
também, segundo os cientistas.
Letal
Capaz de liquidar suas vítimas em poucos dias, o Ebola é uma das
doenças mais virulentas que se conhece. De cada dez pessoas
contaminadas, nove morrem. Isso ocorre porque o microrganismo
ataca veias e artérias de todo o corpo, provocando hemorragia
generalizada - com direito a desintegração de órgãos e grandes
sangramentos externos. O Ebola já matou mais de 1.200 seres
humanos desde que foi registrado o primeiro caso, em 1976, de
acordo com a Organização Mundial de Saúde.
ESTUDO BRITÂNICO APÓIA USO DE PRIMATAS EM PESQUISAS
CIENTÍFICAS
12/12/2006
Cientistas querem macacos cobaias em testes médicos, diz censo.
Mas só quando não há alternativa no laboratório.
Patricia Reaney
Os cientistas britânicos apóiam o uso de primatas em experiências
médicas,
com o objetivo de reduzir as mortes causadas por doenças em seres
humanos, mas só se não houver outra alternativa, mostrou um
estudo.
Sir David Weatherall, autor de um levantamento sobre o uso de
primatas nas pesquisas, disse que em alguns casos os animais são
essenciais para responder dúvidas científicas, porque outros
animais como camundongos e ratos são diferentes demais dos seres
humanos.
"Há justificativa científica para as pesquisas com primatas
não-humanos que sejam cuidadosas, meticulosas e regulamentadas,
pelo menos no futuro próximo, desde que ela seja a única maneira
de solucionar dúvidas científicas ou médicas importantes, e que
padrões elevados de bem estar sejam preservados" , disse ele numa
entrevista coletiva nesta terça-feira (12).
O pesquisador ressaltou que o uso de primatas nas pesquisas deve
ser avaliado caso a caso, e que outros métodos devem ser
considerados, como as pesquisas celular e molecular, os modelos
por computador ou o uso de animais como camundongos transgênicos.
Defensores dos direitos dos animais vêm protestando contra o uso
de bichos em experimentos, atacando organizações de pesquisa,
universidades e laboratórios, além de ameaçá-los com ações
violentas.
Cerca de 3.500 primatas, a maioria macacos, são usados na pesquisa
científica britânica por ano. O número é semelhante na França, no
Canadá e
na Alemanha. Desde 1986 a Grã-Bretanha não usa grandes símios em
pesquisas.
Do total de 3.500, cerca de 400 macacos são usados em pesquisas de
base, e o restante é utilizado pela indústria farmacêutica para
testar novas drogas.
Weatherall e sua equipe de cientistas, que levou um ano e meio
para concluir o levantamento, disseram que os primatas fornecem
informações importantes sobre drogas e vacinas contra Aids,
malária e tuberculose, doenças que juntas matam cerca de 7 milhões
de pessoas por ano.
A pesquisa com animais também é essencial para aumentar o
conhecimento sobre as doenças de Alzheimer e Parkinson, afirmou o
estudo.
"Na neurociência, ainda há justificativa, apesar dos novos avanços
na visualização (do cérebro), para o uso de um pequeno número de
animais", disse Weatherall.
O estudo ressaltou o bem-estar dos animais, como boas condições de
vida, acesso a áreas externas, exercícios e estímulos. O documento
recomendou que todas as pesquisas sejam cuidadosamente
regulamentadas e que as organizações divulguem suas conclusões.
Os cientistas elogiaram o estudo, dizendo que novos tratamentos de
fertilização in vitro e com remédios revolucionários já foram
testados em primatas.
Mas, para o Hadwen Trust, grupo que combate o uso de animais em
pesquisas, o levantamento é equivocado e míope. "O relatório
minimiza seriamente a importância dos métodos de pesquisa que não
utilizam animais", disse Gill Langley, diretor científico da
entidade.
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,AA1385053-5603,00.html
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