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NOTÍCIAS DO BRASIL E DO MUNDO

 

Vacina contra leishmaniose não é reconhecida por ministério 

 

28/07/2005

Lilian Venturini


Bauru/SP - Há dois meses, panfletos distribuídos pela cidade alertam para a realização de uma campanha de vacinação contra a leishmaniose canina. Produzida há um ano pelo laboratório particular Fortdodge, o uso da vacina foi liberado pelo Ministério da Agricultura em fevereiro do ano passado. O Ministério da Saúde, porém, ainda não a reconhece como meio eficaz de combate e prevenção da doença na saúde pública.

“Não temos comprovação da eficácia da vacina na prevenção da doença. Faltam evidências (científicas) e nos propusemos a fazer pesquisas em conjunto com a empresa (para comprovar seus efeitos). Nossa recomendação é não vacinar”, afirma o superintendente de controle de endemias da Secretaria de Estado da Saúde, Carlos Magno.

A vacina foi desenvolvida por professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, de acordo com testes feitos pelo laboratório, sua proteção contra a doença seria de 94%. “É extremamente confiável e o dono é bem esclarecido (sobre o funcionamento da vacina)”, diz o veterinário Marcelo Sanches.

Segundo as orientações do laboratório, o cão só pode receber a vacina após a realização de exames que comprovem a ausência da leishmaniose no animal. Se for saudável, poderá receber as três doses necessárias para imunização. Segundo o laboratório, o efeito do medicamento não é garantido em quantidades inferiores. Atualmente, os valores médios da dose e dos exames são de R$ 55,00 e R$ 30,00, respectivamente, e apenas veterinários particulares oferecem o tratamento.

Elaborada a partir de fragmentos do protozoário causador da leishmaniose, a vacina estimula a produção de anticorpos pelo cachorro. Atualmente, a presença do anticorpo no organismo do animal é um dos critérios adotados pela Saúde para verificar se o cão é portador do vírus. Em casos positivos, o animal é sacrificado. Portanto, caso um animal considerado saudável tome a vacina e, sem seguida, seja submetido aos exames realizados pelo Departamento de Saúde Coletiva (DSC), o resultado será positivo para a doença.

“Ainda não tivemos este problema na cidade e o Estado não deu normas de como deveremos proceder nestes casos”, explica o diretor do DSC, Mário Ramos. Os veterinários ouvidos pela reportagem lembram a existência de exames diferentes dos realizados pela saúde pública para atestar a presença da doença.

O superintendente de controle de endemias, entretanto, afirma que a Secretaria de Estado da Saúde está desenvolvendo normas para diferenciar os cães doentes dos vacinados. “A vacina não provoca a doença, mas positiva o exame e dificulta a identificação do cão”, ressalta.

De acordo com o levantamento do DSC, 298 cachorros foram sacrificados na cidade até junho deste ano. Em 2004, foram realizadas 659 eutanásias.

http://www.jcnet.com.br/editorias/detalhe_geral.php?codigo=55092  

 

 

Substância permite reutilizar cadáveres de animais para treinamento de alunos

 

26/07/2005

Rafael Veríssimo / Agência USP


Professores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP estão utilizando uma substância que diminui o sacrifício de animais para fins educativos. A solução de Larssen, usada para embalsamar cadáveres humanos, foi modificada por pesquisadores da FMVZ, que adicionaram glicerina à fórmula original. Aplicada no sistema vascular dos animais mortos, a solução permite aos professores reutilizar (congelar e descongelar) um cadáver por até sete ou oito vezes, equivalentes, aproximadamente, a um semestre letivo.

Quando buscavam alternativas para a eutanásia animal, os pesquisadores da FMVZ encontraram num hospital da França a solução de Larssen. Aplicada nos animais, no entanto, a solução francesa ainda mantinha os tecidos enrijecidos. O problema foi resolvido pelo professor da FMVZ, Antônio Augusto Coppi Maciel, que introduziu 400 mililitros (mL) de glicerina líquida na fórmula-mãe da solução, que ainda conta com 100 mL de formalina a 10%, 200 gramas (g) de bicarbonato de sódio, 200 g de hidrato de cloral, 180 g de cloreto de sódio e 2000 mL de água destilada.

O uso da solução, que acontece desde 2000 na FMVZ, permite que os cadáveres quimicamente tratados preservem seus tecidos (principalmente pele e músculos) com a mesma cor e flexibilidade de quando os animais estavam vivos, além de não desprenderem o cheiro característico de putrefação.

Treinamento


Submetidos à substância modificada, os cadáveres de cães doados por seus donos ao Hospital Veterinário (Hovet) da FMVZ, são usados na disciplina de Técnica Cirúrgica da faculdade para o treinamento de nós e suturas, de técnicas de reconstrução da pele (anaplastia), cirurgias da orelha, da cavidade oral, de anastomose intestinal (em que se corta e sutura o intestino novamente) e esofagotomia vertical. Também são feitos treinamentos de traqueostomia, ressecção de glândula mandibular e sublingual.

As cirurgias de castração de machos (orquiectomia) e fêmeas (ovariosalpingohisterectomia), realizadas em animais vivos, são feitas com supervisão de professores em campanhas de castração do Hovet, treinamento que possibilita um aprendizado também utilizando animais vivos.

"Antes, sacrificávamos cerca de 440 cães saudáveis por ano para que o aluno pudesse treinar sua destreza cirúrgica. Hoje, utilizamos apenas 40, sendo que todos já estavam mortos quando chegaram a nós", aponta Júlia Maria Matera, professora de Técnica Cirúrgica da FMVZ que começou utilizar o método em sala de aula em 2000.

Avanço ético


Segundo Júlia, os métodos alternativos de treinamento cirúrgico vêm ganhando cada vez mais espaço em todo o mundo. "Nos Estados Unidos, das 31 faculdades de medicina veterinária existentes, 27 não fazem mais uso de animais vivos". Além da utilização de cadáveres e de vísceras de animais abatidos em matadouros, como acontece na FMVZ, existem diversos aparelhos e instrumentos que simulam órgãos e tecidos para o treinamento de estudantes. "No Brasil, no entanto, a maioria das faculdades ainda usa animais vivo", aponta Júlia.

A professora destaca que, além de um avanço ético, o método é um progresso no que diz respeito ao estresse ao qual o estudante é submetido. "Para grande parte dos alunos era difícil ver o cão todo feliz, brincando com eles antes da aula, sabendo que depois iríamos anestesiá-los e sacrificá-los. Sem esse tipo de estresse o aluno fica mais tranqüilo e consegue absorver mais o conteúdo da aula", conta.

A aceitação entre os alunos é alta. Em mestrado entregue à FMVZ, a pós-graduanda Rosane Maria Guimarães da Silva aponta que entre 190 estudantes que cursaram a disciplina de Técnica Cirúrgica entre 2001 e 2003, 93,29% são a favor do método de ensino que inclui o treinamento inicial em cadáveres, seguido de castrações em campanhas. Já 84,79% considerou que o conteúdo da aula foi bem assimilado. Segundo Júlia Matera, alguns alunos ainda consideram inadequado utilizar os animais mortos em sala de aula no lugar dos vivos, que dariam mais realismo ao aprendizado. Porém, para ela, "anormal é usar animal vivo para o treinamento básico".

Mais informações: (0XX11) 3091-1232 / 1238 ou e-mail materajm@usp.br

 

   
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