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No dia 14 de junho, às
15:30 h, via TAP, deve chegar ao Aeroporto Internacional de
Cumbica, Guarulhos-SP, um chimpanzé de nome Bongo, de 10 anos de
idade, procedente de Lisboa, porém nascido em Angola.
A odisséia que este chimpanzé tem vivido e que vai terminar com
sua chegada ao Brasil, no Santuário de Grandes Primatas do GAP, em
Sorocaba, em companhia de 34 de sua espécie que lá vivem, traduz o
drama que estes primatas sofrem neste mundo que os está levando a
extinção rapidamente. Bongo foi comprado no mercado de Luanda pelo
Sr. Mario Ferreira Teixeira do Carmo, residente em Angola, para
evitar que fosse sacrificado e sua carne comercializada para
consumo. O Governo de Angola o declarou Fiel Depositário do
primata, e em 1996 lhe deu uma permissão para levá-lo a Portugal,
onde ele foi residir definitivamente. Quando chegou a Portugal, o
Instituto de Conservação da Natureza (ICN), equivalente ao nosso
IBAMA, tomou posse do chimpanzé, já que o cidadão mencionado não
tinha um local apropriado para mantê-lo. Foi enviado
temporariamente ao Badoca Safari Park, um zoológico particular
perto de Lisboa e lá, tinha um bonobo, fêmea, que é uma espécie
diferente de chimpanzé, com quem ficou.
Como o Zoológico não tinha um recinto adequado, este bonobo foi
aceito em um zoológico em Colonia, Alemanha, e o Bongo, no
Santuário do GAP no Brasil, com autorização prévia do IBAMA. A
tramitação da documentação para transferência começou em 2003, e
só agora foi concluída. Foi necessária a intervenção do Ministério
de Agricultura de Angola que mudou o Fiel Depositário, do Sr.
Mario para o Santuário do GAP no Brasil, e enviou uma pessoa a
Lisboa para oficializar a transferência.
Após a realização de todos os testes sanitários requeridos, a
transferência deverá ser feita simultaneamente, do Bongo para o
Brasil e o bonobo, de nome Ximba para Colonia, que será realizada
no dia 14 de junho, dia em que ambos serão embarcados para
diferentes destinos. Ximba vai para Colonia onde existe um grupo
de bonobos, que é um chimpanzé em extremo perigo de extinção, já
que somente existe na Floresta do Congo, na margem sul deste Rio.
Em cativeiro, os chimpanzés comuns devem ser mantidos separados
dos bonobos, a fim de evitar reprodução entre espécies hoje
consideradas diferentes.
O chimpanzé Bongo será incorporado a algum grupo dos existentes no
Santuário, e junto com outros chimpanzés que chegaram da Bolívia e
Holanda no ano passado, será integrado rapidamente a sua
comunidade. Os chimpanzés têm 99,4% de nosso DNA e são
considerados nossos parentes mais próximos no Reino Animal.
Para maiores informações, entrar em contato com o Dr. Pedro A.Ynterian,
através do celular (11)9645-0936, tel. (11)5564-9595 ou e-mail
projetogap@projetogap.com.br.
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A
ODISSÉIA DO CHIMPANZÉ BONGO AGORA TERMINOU!
Em
comunicado anterior, anunciamos que a odisséia deste chimpanzé
procedente de Angola, porém que viveu vários anos em Portugal,
aguardando vaga em algum Santuário, e a burocracia infernal que
existe para o traslado, estava terminando, porém, erramos, o
Ministério de Agricultura do Brasil, prolongou por quase 24 horas
essa “odisséia”, ao criar dificuldades para o seu desembaraço na
alfândega do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
O proprietário do Badoca Safari Park de Portugal que veio
acompanhando Bongo, que morou em seu zoológico parte de seu tempo
nesse país, ficou indignado e prometeu fazer um protesto ante o
Ministério das Relações Exteriores de seu país, por colocar em
risco a vida do chimpanzé, deixando-o horas a fio sem comer nem
beber, só aguardando por um certificado, uma assinatura e um
carimbo.
A fiscalização do Ministério da Agricultura do Aeroporto
Internacional de Guarulhos não ficou satisfeita com o Certificado
Zoo-Sanitário Internacional que as autoridades veterinárias
portuguesas tinham emitido, já que faltava informação sobre vírus
Ebola e da Febre Hemorrágica de Marburg, que são doenças que não
existem na Europa, só tem surtos esporádicos na África, e atingem
grandes primatas e os seres humanos. Estas doenças são de rápido
desenvolvimento e em uma semana o paciente vai a óbito ou supera a
infecção. Um novo certificado foi emitido e enviado por Fax ao
Brasil, porém a exigência era de entregar em três dias o original
consularizado, por não confiar nas autoridades veterinárias
portuguesas. A Receita Federal, que já tinha sido alertada pelo
GAP cooperou rapidamente, e após o Ministério da Agricultura
liberar o Chimpanzé, a Receita o fez também.
A atitude rigorosa em extremo da fiscalização agropecuária
brasileira foi duramente criticada pelo proprietário do Badoca
Safari Park, Francisco Simões de Almeida, que considerou que
nossas autoridades estão completamente desinformadas sobre as
rígidas normas que existem na União Européia para animais
exóticos, que em hipótese alguma poderiam estar contaminados com
doenças próprias da África.
O Bongo permaneceu quase 48 horas em uma gaiola pequena, selada,
sem contato com o exterior, às escuras, com 24 horas sem comer nem
beber qualquer líquido. Sendo um chimpanzé jovem, esse trauma o
marcará uma parte de sua vida.
Quantos seres humanos entram no Brasil por dia de diversas
origens?
Centenas.
Para nenhum deles é exigido certificado de saúde, como se exigiu a
um pequeno chimpanzé que viveu uma boa parte de sua vida em uma
instituição de primeiro mundo, com acompanhamento médico
constante. Esta atitude dos seres humanos é uma prova a mais da
discriminação que damos a seres que consideramos inferiores e que
merecem um tratamento justo, decente e ético.
Bongo chegou ao Santuário do GAP em Sorocaba às 5 da tarde do dia
15 de junho, quase 48 horas após ter partido do seu recinto a 150
km de Lisboa, no Safari Park Português. Será integrado em algum
grupo existente no Santuário e não terá que sofrer mais os maus
tratos da superioridade que os humanos sempre manifestam, frente
aos seus irmãos na Natureza.
Notícias do GAP 16.06.2005
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