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O Dia on Line,
19/05
Michel Alecrim
O
secretário especial de Defesa dos Animais, Victor Fasano, quer
acabar com as charretes de Paquetá. Segundo ele, os cavalos estão
"passando penúria", sofrendo com fome e doenças. Mas, por causa da
importância cultural e histórica do transporte, será feita
consulta popular para decidir o assunto. A proposta já causa
polêmica entre empresários do turismo do lugar.
A secretaria baixou ontem portaria criando grupo de trabalho para
avaliar a situação dos animais. As condições de saúde e nutrição
serão expostas aos moradores da ilha. Plebiscito, sem data
marcada, será convocado para que moradores decidam.
"As pessoas ainda guardam no imaginário cenas do romance A
Moreninha, mas os tempos atuais não são os mesmos", diz o
secretário e ator, em referência ao livro de Joaquim Manoel de
Macedo, de 1844, que se passa na Ilha de Paquetá.
Solução seria usar carrinhos não
motorizados
Caso a população decida pela retirada, novos veículos não
motorizados teriam de ser introduzidos. A proposta deve dividir
Paquetá. O gerente do Hotel Fragata, Carlos Alberto Silva,
reconhece que os cavalos estão magros e que o serviço é
desorganizado. Para ele, os charreteiros não têm condições de
alimentá-los adequadamente, já que não há pasto na ilha.
Já a proprietária do Hotel Campestre, Marluce Medeiros, diz que a
retirada das charretes nunca vai acontecer. Segundo ela, os
animais são bem-tratados e não circulam pela ilha depois das 18h.
"Não existe Paquetá sem charrete", defende.
Dois veterinários da prefeitura vão avaliar o local onde os
animais ficam, fazer avaliação física deles e dos riscos que eles
e a população podem correr. Além das doenças, terão que indicar se
há possibilidade de transmissão para as pessoas. Eles terão que
fazer relatório detalhado para a secretaria.
Pesquisa do Ibope diz que a maioria não confia nas Ongs
Um levantamento divulgado pela Renctas (Rede Nacional de Combate
ao Tráfico de Animais Silvestres), em parceria com o Ibope, aponta
que, para 75% dos brasileiros, o país corre o risco de ser
invadido por outros devido às suas riquezas naturais.
A pesquisa mostra que 19% descartam a possibilidade de uma invasão
estrangeira e 6% não souberam responder ou não opinaram.
O objetivo da pesquisa, segundo o instituto, era "levantar
opiniões relacionadas ao tráfico de animais silvestres e a
questões ambientais". O Ibope entrevistou 2.002 pessoas maiores de
16 anos, entre os dias 8 e 13 de abril. Foram selecionados 143
municípios em todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de
2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de
confiança estimado é de 95% (se a pesquisa fosse repetida cem
vezes, 95 delas dariam o mesmo resultado).
O temor de uma intervenção estrangeira nas florestas é maior entre
os mais jovens, aqueles que possuem ensino médio, e com renda
familiar variável de cinco a dez salários mínimos. Os mais velhos
e com baixo poder aquisitivo formam a maioria dos que não
opinaram. A parcela dos que rechaçam essa hipótese é distribuída
homogeneamente.
A mesma sondagem questionou os entrevistados sobre a forma como o
país age em relação às questões ambientais. Para 71%, o Brasil é
um país que não respeita o ambiente. Outros 29% responderam o
contrário.
A pesquisa foi divulgada ontem, em Brasília, pelo
coordenador-geral da Renctas, Dener Giovanini. Para ele, o dado
mais relevante diz respeito à posse de animais silvestres,
especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Segundo o levantamento, 30% dos entrevistados admitiram que têm ou
já tiveram um animal silvestre, contra 70% que disseram o inverso.
No Nordeste, o índice de pessoas que afirmaram ter um animal desse
tipo atinge 39%.
"Esse número aponta para um universo de 60 milhões de pessoas. E
essas pessoas estão sempre repondo o pássaro quando ele morre",
afirma Giovanini.
A sondagem também analisou o conhecimento dos entrevistados sobre
a legislação que trata da posse (sem registro no Ibama) de animais
silvestres. Para 72%, ter uma espécie dessas é errado, contra 25%
que não vêem problema.
Além disso, 84% disseram saber que possuir esses animais é crime.
Outros 11% disseram não considerar crime, e 5% não responderam ou
não souberam responder.
"Não precisa mais dizer para a sociedade que se trata de um crime
ambiental porque a maioria já sabe. É hora de mudar o foco das
campanhas; afinal, mesmo sabendo que é crime as pessoas seguem
comprando", afirma Giovanini.
Os dados da pesquisa foram considerados "surpreendentes" pelo
presidente da CPI da Biopirataria, instalada no Congresso
Nacional, deputado Mendes Thame (PSDB-SP).
Ele afirmou que os números "são reflexos de uma legislação
ambiental branda e leniente" e que o fato de "somente 30%
acreditar nas políticas ambientais sinaliza que a maioria está
esperando mais do governo federal".
O coordenador da Renctas ressaltou ainda o descrédito da população
em relação ao trabalho das organizações não-governamentais
ambientais(ONGS). Do total, 57% disseram que a atuação das ONGs é
"pouco ou nada confiável". Do outro lado, 29% afirmaram confiar, e
14% não souberam ou se recusaram a avaliar.
Na lista dos animais mais visados pelo tráfico estão espécies de
diversos tamanhos e habitats, como o tamanduá-mirim (Tamandua
tetradactyla), a preguiça (Bradypus variegatus), a jibóia (Boa
constrictor constrictor) e o papagaio verdadeiro (Amazona aestiva),
além de uma variedade de pássaros e tartarugas. |
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