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Revista da
Folha - 07/08/2005
Vira-lata é
'cult'
por Deborah Giannini
"Adotar um 'sem-terra' é superchique. Todo mundo que tem um
cachorro de raça deveria também adotar um de rua, acho bacana",
diz a banqueteira Maria Alice Solimene, que já teve dois beagles e
hoje é dona de um vira-lata chamado "Sem Terra", abandonado na
esquina de sua casa, na Vila Nova Conceição.
Compartilhando filosofia parecida, o artista plástico Rodrigo
Bueno, 37, proprietário do antiquário Passado Composto, nos
Jardins, diz com orgulho que é dono de cães sem pedigree: Cosme,
Damião e Preta, todos sem raça definida, foram retirados de
entidades protetoras. "Eles são únicos e muito afetuosos. Você não
tem que ficar ensinando, já sabem o que fazer", conta ele, que já
teve pastor e dogue alemão.
A glamourização do vira-lata se reflete em números. De acordo com
a ONG "Vira-lata é Dez", que mantém 450 cães e 60 gatos, a procura
por adoção aumentou 30% desde o início do ano. "As pessoas estão
mais conscientes, às vezes levam até cães velhinhos e com
deficiência física, o que não acontecia antes. Pensam: por que vou
comprar um cão de R$ 1.000, se há tantos animais em asilos
precisando de uma família?", diz Ana Tancredi, presidente da ONG.
A veterinária Andréa Acaui, que organiza feiras de adoção,
concorda que ter um vira-lata hoje se tornou "cult", mas apenas
entre os "politicamente instruídos". "Quem procura por vira-lata é
o pessoal descolado mesmo. Isso independe de condições
financeiras. Na feira de adoção, as pessoas mais pobres geralmente
querem bichos de raça", conta.
O lado bom dessa "moda", segundo ela, é que incentiva as pessoas a
tirar os animais das ruas. E com uma vantagem para os donos: os
cães adotados de entidades protetoras já vêm vacinados,
vermifugados e castrados.
"Não é bom pegar animais diretamente da rua, pois podem transmitir
doenças ao dono e a outros cães da casa. E, ao levar um cão de rua
para casa, é importante lembrar que ele precisa manter uma vida
social. Deixá-lo confinado também configura maus-tratos", afirma.
Na Uipa, a entidade protetora de animais mais antiga de São Paulo
com 110 anos e cerca de 1.200 cachorros disponíveis, a procura por
adoção cresceu sobretudo nos últimos dois anos. Segundo Vanice
Teixeira Orlandi, presidente do órgão, dois tipos se interessam
pela adoção de SRDs: gente que realmente quer salvar um cão sem
dono e gente que quer apenas economizar.
Beleza é questão subjetiva. "Não dá para dizer se o vira-lata é
doável ou não, isso depende do quanto ele é capaz de comover. A
idéia inicial, de adotar um vira-lata filhote, doce e saudável, se
dilui quando as pessoas descobrem suas histórias, acabam levando
até idoso e paraplégico", conta Vanice.
No Centro de Controle de Zoonoses, os cerca de cem animais
disponíveis para adoção foram selecionados entre os mais dóceis e
jovens (até um ano) encontrados na rua -os demais são
sacrificados, em torno de 50 por dia. "No CCZ são adotados 50 cães
por mês, em média. A maioria das pessoas vem com o desejo de
salvar um animal, com a idéia de dar lar àquele que foi
rejeitado", afirma a veterinária Elisabete Aparecida da Silva, do
CCZ. Assim como acredita Vanice Orlandi, da Uipa, mais do que ter
um vira-lata em casa, o que tem que entrar na moda, é o respeito
aos animais, com ou sem raça.
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onde adotar
CCZ (Centro de Controle de Zoonoses). R. Santa Eulália, 86,
Santana, tel. 6224-5500.
Uipa (União Internacional Protetora dos Animais). Av. Presidente
Castelo Branco, 3.200, tel. 3313-5976.
Vira-lata é dez
www.viralataedez.com.br
Adote um gatinho
www.adoteumgatinho.com.br
Quintal de São Francisco
www.quintaldesaofrancisco.org.br
Cia. dos Bichos
www.ciadobicho.com.br
FLORIANÓPOLIS - 2ª CAPITAL DA REGIÃO SUL A PROIBIR CIRCOS COM
ANIMAIS
Em votação histórica
para a causa de bem estar animal, a Câmara de Vereadores de
Florianópolis aprovou por unanimidade em 1° e 2° turno, a lei que
proibe circos e espetáculos assemelhados de se apresentarem com
animais na capital de Santa Catarina.
Após a exibição dia 03/08 da fita que revela o sofrimento dos
animais desde sua captura no habitat até a exibição nos
espetáculos, houveram várias manifestações emocionadas e
indignadas dos vereadores que desconheciam a cruel realidade.
Capitaneados pelos vereadores Márcio de Souza e Alexandre Fontes
autores da lei que tramitava desde 2003, foi decidido colocá-la em
votação em regime de urgência. Logo após o término da 2ª votação
dia 09/08, os vereadores Márcio de Souza e Ângela Albino ocuparam
a tribuna e proferiram palavras emocionadas ressaltando a
importância da aprovação da lei de circos, que coloca o município
de Florianópolis entre aqueles que alinhados com as organizações
de bem estar animal, lutam pelo respeito a vida em todas as suas
manifestações.
O vereador Márcio de Souza também registrou como um fato positivo
a união e mobilização do movimento de defesa animal, que
congestionou as caixas de entrada de e-mails dos vereadores com
mensagens de apoio e pedidos pela aprovação da lei vindos de todo
o Brasil.
Foi sem dúvida mais vitória de todo o movimento de bem estar
animal.
A todos aqueles que se envolveram de alguma forma e ajudaram em
mais esta conquista para nossos irmãos menores, os nossos sinceros
agradecimentos. Solicitamos que aqueles que puderem, enviem aos
vereadores os parabens e agradecimentos pela aprovação da lei.
Halem Guerra Nery
Insituto Ambiental Ecosul de SC
email:halennery@brturbo.com
Fone: 48-9972.1522 |
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