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Animais
na Austrália aproveitam esponjas marinhas para procurar peixes e
as mães ensinam a técnica às filhas
SALVADOR NOGUEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Quem não tem mão, caça com esponja. Pelo menos é o que fazem os
golfinhos nariz-de-garrafa, segundo um grupo internacional de
pesquisadores. E a parte realmente surpreendente da descoberta: as
mães aparentemente ensinam as filhas como usar esponjas marinhas
para obter comida. Moral da história: golfinhos desenvolvem e usam
ferramentas.
A revelação, feita por um grupo encabeçado por Michael Krützer, da
Universidade de Nova Gales de Sul, em Sydney, Austrália, demonstra
que os golfinhos têm a capacidade de desenvolver uma cultura
material -ou seja, técnicas de uso de instrumentos que são
transmitidas por aprendizado, em vez de serem meras atividades
incluídas na "programação genética" da espécie. Até agora, a
transmissão cultural só havia sido demonstrada com segurança em
humanos e seus parentes mais próximos, como os chimpanzés.
O estudo, publicado na revista científica da Academia Nacional de
Ciências dos Estados Unidos, a "PNAS" (www.pnas.org), foi feito à
custa de muito esforço. As observações dos bichos, de uma
população bastante estudada que habita a região de Shark Bay, na
costa oeste australiana, começaram em 1988 e só foram concluídas
em 2002. E, a rigor, o grupo de cientistas já trabalhava com esses
golfinhos desde 1984.
Ao longo das observações, perceberam que alguns golfinhos
arrancavam um pedaço de esponja do leito marinho e o colocavam no
rostro (focinho). Com isso, sondavam o fundo do mar à procura de
peixes. Detectaram pelo menos 15 deles que faziam isso. Apenas um
era macho, os outros eram fêmeas. Também conseguiram ver pelo
menos sete filhotes fazendo isso. Os filhotes machos das mães que
usavam esponjas não adquiriam o hábito, somente as fêmeas. Então,
pensaram os cientistas, das duas uma: ou as mães ensinam isso às
filhas (embora nenhuma tenha sido flagrada fazendo isso), ou os
genes de uma mesma linhagem de golfinhos induzem a esse
comportamento nas fêmeas.
Para tirar a dúvida, os cientistas fizeram uma série de análises
do DNA dos animais.
"A Janet Mann [uma das autoras do estudo] vem discutindo
fervorosamente o uso de esponjas pelos nariz-de-garrafa de lá com
o objetivo de descrever aspectos de transmissão cultural", conta
Marcos César Santos, biólogo da USP que estuda botos marinhos em
Cananéia (SP). "Acho que esse novo estudo é o começo de uma nova
onda de discussões a respeito disso, porém agora com muito mais
embasamento, pois a famigerada genética entrou no páreo."
Redefinindo a cultura
O mais interessante de tudo é que, aparentemente, a "cultura de
esponja" dos golfinhos é passada apenas de mãe para filha, não
dentro de uma comunidade. Para os pesquisadores, é uma boa hora de
repensar o conceito de cultura.
Os cientistas que estudavam primatas comparavam comportamentos
culturais avaliando diferenças entre os animais de diferentes
regiões. Para os golfinhos, isso não funciona. "Nós propomos,
portanto, estender a definição para incluir tradições que que são
habituais a alguns, mas não a outros indivíduos numa mesma área,
dentro da mesma população, em que dados genéticos e
comportamentais são inconsistentes com os de indivíduos que
adquiriram o comportamento geneticamente",
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0706200501.htm
Austrália procura votos para evitar caça a baleias
06/06/2005
Sydney (Austrália), 6 jun
(EFE).- O
ministro australiano do Meio Ambiente, Ian Campbell, visitará as
nações de Salomón, Kiribati e Tonga para buscar os votos
necessários para evitar o reatamento da captura comercial de
baleias, informaram fontes oficiais nesta segunda-feira.
Recém chegado da Europa, onde realizou uma campanha similar e
disse que recebeu grande apoio, Campbell viajará às ilhas do
Pacífico Sul com a esperança de que comprometam seu voto na
assembléia anual da Comissão Baleeira Internacional, que será
realizada na Coréia do Sul.
A Austrália não recorrerá a ameaças contra o Japão, mas se
comprometeu a pressionar o governo nipônico a mudar seu plano de
retomar a caça às baleias, enquanto que também não enfrentará
Tóquio para proibir a entrada de seus navios em águas da
Antártida.
Desde 1987, o Japão mantém uma cota própria de caça com um máximo
de 800 baleias ao ano e, apesar de ter assinado a moratória,
começou seu programa científico pelo qual continua a captura de
cetáceos com fins de pesquisa.
Em 2000, Tóquio expandiu unilateralmente sua captura ao cachalote
("macrocephalus physetter") e a baleia de Bryde ou tropical ("edeni
baslaenoptera") no Oceano Pacífico setentrional.
A Comissão Baleeira Internacional decidirá em sua 57ª reunião
anual, no final de junho na cidade sul-coreana de Ulsan, se
levanta a moratória de 20 anos à caça comercial de baleias, indica
o comunicado oficial do Ministério do Meio Ambiente.
http://www1.uol.com.br/bichos/noticias/efe/ult2629u147.shl
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