|
REVISTA VEJA – Edição 1906 – 25 de
maio de 2005
Seção HOLOFOTE (pág.30)
A Sociedade de Prevenção à Crueldade contra Animais do Estado de
Indiana (ISPCA), nos Estados Unidos, mandou uma carta ao
embaixador americano no Brasil, John
Danilovich, pedindo o cancelamento do visto
de José Eduardo Cavalcanti de Mendonça. Trata-se do
marqueteiro Duda Mendonça. Motivo: Duda
foi preso numa rinha de galos e admitiu que
esse é seu hobby. A sociedade lembra que as brigas de galo
são crime no Brasil e em 48 estados
americanos.
USP
promove campanha contra abandono de animal
AMARÍLIS LAGE
AFRA BALAZINA
da Folha de S.Paulo
Para tentar diminuir o abandono de bichos no campus da USP
(Universidade de São Paulo) na capital, a universidade lança
amanhã uma campanha sobre a posse responsável de animais. O
outdoor da campanha tem a foto de um cachorro com o slogan "nem
todo mundo que entra na USP tem um futuro brilhante".
A idéia é estimular o debate sobre o assunto e fazer com que as
pessoas denunciem casos de abandono e maus-tratos de animais no
local. Além disso, a campanha irá promover a adoção de 50 animais
que, atualmente, estão alojados em um ambulatório veterinário
dentro da prefeitura da Cidade Universitária, no campus do Butantã
(zona oeste).
Quatro outdoors sobre o tema -três dentro da universidade e um
fora, na marginal- já foram instalados. A partir de segunda-feira,
serão distribuídos 15 mil folders e 500 cartazes. A campanha
também conta com um site (www.USP.BR/vidadigna) -até o fechamento
desta edição, entretanto, ele não estava no ar.
Neste ano, um gato foi encontrado enforcado numa árvore. A
engenheira Tereza Salvetti, 44, que trabalha no campus da USP há
21 anos, lembra que um cachorro chamado Querido já foi esfaqueado
e levou tiro de borracha no local.
Ela já adotou dois cães abandonados -um deles, da raça husky, teve
de ficar com a coluna engessada por 45 dias em razão de
maus-tratos. "Tenho na minha sala vermífugo, remédio para sarna,
ração e biscoito."
Segundo a professora da Faculdade de Medicina Veterinária e
Zootecnia da USP Júlia Matera, os animais abandonados se
concentram próximo ao Crusp (Conjunto Residencial da Universidade
de São Paulo), onde os moradores, muitas vezes, passam a cuidar
dos bichos. Ela afirma que o abandono de cães e gatos é uma
questão de falta de educação.
O problema, que está cada vez mais grave, não é de hoje: a
professora Paola Ramazzotti, 33, que estudou letras na USP de 1996
a 2000, conta que passava grande parte de seu tempo na
universidade cuidando dos animais soltos pelos donos. "Depois que
eram abandonados, eles muitas vezes sofriam maus-tratos. Encontrei
diversos bichos com a perna quebrada e o olho furado", disse ela,
que também dava ração e remédios para os cães e os gatos.
Essa situação não ocorre apenas no campus da capital: a unidade da
USP em Ribeirão Preto também tem problemas semelhantes.
"Vira-e-mexe a gente encontra bichos novos, principalmente perto
de restaurante universitário e do museu. Os gatos são os mais
abandonados", disse a bióloga e doutoranda Jeanne Jimenes, 33.
Também há muitos relatos de maus-tratos no local. "Tem gente que
chuta e joga cadeira nos cães. Um professor de veterinária
precisou colocar um pino na perna de um cachorro depois que ela
foi quebrada. Hoje, esse cão é o nosso mascote", contou ela.
Em sua opinião, a campanha do campus da capital deveria ser
estendida ao interior. "Isso contribuiria para aumentar a
consciência das pessoas." |
|