|
27/10/2005
Por Maria Lorente LOS ANGELES, 27 out (AFP) -
"É um filme que fala de emoções universais, mas sobretudo dos
esforços de uma espécie para sobreviver", afirma Luc Jacquet, ao
tentar explicar o sucesso inesperado do documentário "A Marcha do
Imperador" em vários países, inclusive nos Estados Unidos, onde
liderou a bilheteria por duas semanas, tornando-se o filme francês
mais visto no país.
"Eu queria apenas partilhar de algo que sabia: a extraordinária
energia do pingüim imperador para sobreviver a constantes ameaças
e perigos", explica o cineasta, em entrevista exclusiva com a AFP,
celebrada em um hotel de Los Angeles, onde promove o lançamento do
DVD do longa.
"Nunca imaginei o sucesso que viria depois", confessa o diretor,
um ex-biólogo, com tom reflexivo e pausado, que não deixa de ser
cativante.
O filme, que conta a ancestral viagem a pé de 90 km que os
pingüins fazem em busca de um lugar para acasalar e procriar, foi
lançado no fim de junho nos Estados Unidos em um número limitado
de salas e sem qualquer gasto com publicidade.
Após um enorme sucesso de crítica e público, que colocou o
documentário no topo da bilheteria americana durante duas semanas,
a distribuidora Warner Independent ampliou sua exibição um mês
depois para quase 700 salas. Só nos Estados Unidos e no Canadá, o
filme, que teve um custo de 3,4 milhões de dólares, arrecadou mais
de US$ 76 milhões.
"Há dois anos eu era um total desconhecido. De repente, todos os
olhos se voltam para mim", declara o cineasta, cuja baixa estatura
remete aos protagonistas do filme.
A fascinação de Jacquet pelo pingüim imperador - o maior da
espécie, com 1,1 metro de altura e 30 quilos - começou em 1992,
depois que ele respondeu a um que solicitava um biólogo disposto a
viajar para a base francesa Dumont d'Urville, na Antártica.
Depois desta aventura, ele mudou de profissão e se tornou diretor
de cinema.
"O que realmente descobri ali foi o meu desejo de ser um narrador,
de contar histórias", revela.
Desde então, decidiu fazer um documentário sobre o único habitante
do continente antártico que, durante os longos meses do inverno
austral, vive na mais absoluta penumbra, enfrentando ventos
gelados que podem chegar a 300 km/h e a temperaturas com picos de
60º a 75º abaixo de zero.
"O pingüim é muito belo e surpreendente e a paisagem da Antártica
é fabulosa", deslumbra-se Jacquet, que se define como um amante do
frio.
"Mas sobretudo o que quis contar é a extrema fragilidade de sua
vida", acrescenta, com brilho no olhar.
Durante vários anos, ele voltou ao continente onde fez
documentários para a televisão.
"Mas guardava o filme para depois", conta. Em 2000, escreveu o
roteiro e a partir dali começou a árdua tarefa de procurar
financiamento.
"A princípio ninguém acreditou no filme", acrescenta.
Em janeiro de 2003, Jacquet, acompanhado de três pessoas, partiu
para a Antártica. Os cineastas ficaram treze meses dormindo na
base francesa no continente gelado, com exceção de Jacquet, que
teve que voltar à França para acompanhar o nascimento de sua
filha.
"Foi difícil. Passamos por momentos difíceis", lembra.
No entanto, a convivência com os pingüins não teve problemas. Eles
"não têm medo de nós", explica.
Durante sua estadia, eles filmaram o ritual reprodutivo dos
pingüins, que começa em março com a jornada rumo ao local de
acasalamento e se estende ao período de incubação, o nascimento e
o difícil trabalho do casal para alimentar a cria.
No filme, Jacquet não faz menção ao aquecimento global, uma das
maiores ameaças ao continente do extremo sul do planeta, embora
garanta que possa ajudar numa tomada de consciência sobre o
problema. "Se as pessoas se apaixonarem pelos pingüins como
aconteceu comigo, vão querer protegê-los", diz.
O cineasta pretende continuar a fazer filmes sobre animais.
"É isto o que quero fazer, contar histórias sobre a natureza e os
animais e não é porque o filme fez sucesso que vou mudar minhas
aspirações", acrescenta.
O filme lhe abriu as portas do mundo. "Agora terei mais dinheiro
para meu próprio projeto", celebra.
Seus olhos faíscam diante da possibilidade, nada remota, de o
filme ganhar o Oscar de Melhor Documentário.
"Um Oscar? Isso parece um sonho, embora deva dizer que ainda não
consigo acreditar no sucesso deste filme", declara, com um largo
sorriso nos lábios.
Roma multará quem não levar cão para passear
26 de outubro de 2005
Os
donos de cachorros em Roma poderão ser multados se não levarem
seus cachorros para passear diariamente segundo uma nova lei
aprovada para defender os direitos dos animais. A legislação ainda
condena à prisão quem abandonar seu cão ou gato.
O novo estatuto também proíbe os donos de cortar os rabos dos
animais por razões estéticas. A mesma lei veta o uso de pequenos
aquários redondos para peixes. Especialistas afirmam que esses
aquários são cruéis e podem deixar os peixes cegos.
A lei determina também que os animais de estimação não podem ser
mantidos em vitrines de vidro de pet shops ou ser deixados em
carros durante o verão. O objetivo da lei é proteger as centenas
de cães, gatos e outros animais de Roma. Estima-se que existam 150
mil cachorros e 300 mil gatos na cidade.
http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI726386-EI294,00.html
|
|